25/07/2008

Ela não vive!




Essas fotos foram enviadas diretamente do meu correspondente em Berlin, o Walter. As circunstâncias ainda não são muito claras. Talvez ele tenha sido preso por alguns agentes da Stasi e levado para uma prisão nos arredores da DDR.


O que importa é que ele conseguiu heróica e habilmente, tirar fotos do aparato militar da DDR. O que mais impressionou, sem dúvida, foi a foto abaixo, uma autêntica máquina de guerra! Uma autêntico Trabant da DDR!


É importante dizer aos familiares que o nosso valente repórter conseguiu fugir das garras do inimigo, e já está em casa, com segurança.


Ele vive!


Para quem acha que o Trabant é apenas mais uma daquelas lendas urbanas, como o crocodilo que vive nos esgotos, o filhote de pombo e o enterro de anão, aí vai uma prova irrefutável de que o pequeno operário continua rodando pelas históricas ruas de Weimar!


Repararam que a seta funciona?


O alemão também é espírito de porco!

Essa foi enviada direto de Berlin pelos meus queridos amigos Davi e Dani, que aproveitaram um simpático dia de sol na Alemanha, para ver o Obama falar. Foi quando eles se depararam com a cena abaixo.



O amigo pode começar a dançar um frevo, leva o maior jeito.



Leipzig fashion week

Quando morei em Leipzig sempre fiquei impressionado com a quantidade de gente estranha andando pela rua. Ok, gente estranha com festa esquisita - como diria a boa senhora em Weimar - "Das ist Deutschland!".

Então mais uma pequena amostra do maravilhoso mundo da moda na Alemanha - versão Leipzig:

1. Esplendor e Glória dos Perpétuos: modelito Sandman da juventude gótica-mangá alemã.



2. Bruxinha do Oeste sem estrada de tijolos doirados. O melhor são minhas queridas primas sem graça porque eu as estava utilizando, viilmente, para fotografar a mocinha que combina cabelo com sapatos.



Um mimo, não?


É verão em Leipzig!



O Bruno quando veio trouxe seus amiguinhos da China mas esqueceu de levá-los de volta.

Êita saudade do Rio!

E o segundo Trabant foi para...



Tive o prazer de receber, há duas semanas o meu primo e sua família. Como não passaram pela grande megalópole que é Weimar, acabamos nos encontrando em Leipzig, para eu entregar os ingressos de um show que eles iam ver.

Foi bom encontrar com o Lu, Mônica, Márcia e Amanda na cidade em que morei por quatro meses e ainda não tinha retornado desde a minha mudança para cá. O clima estava ótimo apesar da metereologia dizer o contrário: sol, cerveja em bar, as pessoas alegres na rua, bem diferente daquele inverno chuvoso e chato.

A família ganhou um incrível Trabant, prêmio para as pessoas que vem aqui me visitar. Como as fotos demonstram, todos ficaram estupefatos com o maravilhoso presente!

Destaque para a camisa do Botafogo do meu primo, que fez com que até o sol se abrisse e iluminasse a cidade.

20/07/2008

Atenção Bebeto!



Estava eu pesquisando videoclipes que são auto-referenciais para a minha tese de doutorado, quando procuro o clipe da década de 80 do "view to a kill", do Duran Duran, para o filme homômino do 007.

Aos 3 segundos de clipe, bem no início, eis que surge um sujeito dentro de uma van. Ele levanta o braço esquerdo, apoiando no volante. Ele está com uma jaqueta onde, no braço esquerdo vê-se, nitidamente, o escudo do Botafogo.

Confiram direitinho para não dizer que é mentira: http://www.youtube.com/watch?v=fsiBhQ60rJE

FOOOOOOOOOOOGOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!

13/07/2008

Campo de concentração de Buchenwald

Aviso aos navegantes: esse post é indigesto



Finalmente um assunto sério nesse blog. E bota sério nisso... Há muitos anos pensava em visitar um campo de concentração, onde morreram seis milhões de pessoas, entre presos políticos, judeus, ciganos e homossexuais, pessoas de diversas nacionalidades e etnias. Há dez anos atrás visitei a casa de Anne Frank em Amsterdam, onde pude entrar em parte do sótão em que a menina e sua família ficaram escondidas até serem enviados e deportados para campos de concentração. Não satisfeito em observar o cubículo onde morava, com mais sete pessoas, passei a ter um interesse grande pelo tema, acredito que não diferente da maioria das pessoas.

Morando na Alemanha, finalmente teria a oportunidade de entender melhor o momento histórico, conversar com pessoas e visitar lugares que aumentassem um pouco a minha percepção das coisas. Weimar, nesse sentido, é um lugar propício para buscar esse saber.

Cidade de Goethe, Schiller, da Bauhaus, da República de Weimar e do Weimaraner (sim, o cachorro - ele é ainda mais antigo, de 1600), ela também teve importância capital para Hitler, no início de sua ascenção. Weimar ainda tem prédios construídos pelo governo nazista - o que será motivo de outro post aqui futuro - e foi palco frequente de aparições públicas do dito cujo, com aceitabilidade bastante boa pela habitual presença de multidões. Abaixo algumas fotos dos encontros dele com os citadinos na frente do Hotel Elephant (considerado o melhor hotel de Thüringen) situado na mesma Marktplatz onde fica a Rathaus (prefeitura) de Weimar, e de onde discursava na varanda que ele próprio mandou construir.

Clique nas fotos para ampliar


Weimar também teve o seu próprio campo de concentração. Oito quilômetros do centro da cidade foi montado um campo que posteriormente ganhou o nome de Buchenwald/Post Weimar. Nele, 56.000 pessoas morreram nos seus praticamente 9 anos de existência, de 1937 até 1945. Foi em Buchenwald, em agosto de 1937, a primeira do total dos seis milhões de mortos em campos de concentração. O campo foi montado a uma certa distância da cidade para não chamar muita atenção - apesar de que oito quilômetros não é exatamente o que podemos chamar de longe. Ainda assim os seus prisioneiros executavam trabalhos em estradas e na extração de pedras em uma pedreira ao lado.



Buchenwald não era um campo de extermínio como Auschwitz, o que não diminuía a crueldade do que acontecia por entre os seus muros. Ali dentro pessoas morriam de fome e tifo. Algumas eram executadas ou ainda enforcadas em ganchos no subsolo de um crematório. Nele, um elevador já levava para cima, para fornos individuais, os corpos para serem queimados.


Mas o pior mesmo é a história da Bruxa de Buchenwald. Seu nome era Ilse Koch, nasceu em Dresden em 1906 e inicialmente trabalhava numa livraria ou biblioteca, onde começou a simpatizar com as idéias nazistas. De lá começou sua ascenção: virou uma secretária que segundo o que pesquisei, subiu na vida dormindo com oficiais da SS. Lá pelas tantas ela começa a se relacionar com Karl Koch, com quem vem a se casar antes dele ser transferido para comandar o campo de Buchenwald.



Lá, a moça transformou-se em uma tirana. Mandou os prisioneiros construírem um grande estábulo para que ela cavalgasse no campo. Ela também tinha casos com um médico que fazia experiências com prisioneiros e depois também com outro oficial. Ordenava que os presos fizessem referências respeitosas à ela e ordenava matar os prisioneiros que a desagradasse ou quem tivesse tatuagem na pele. Desses últimos mandava retirar a pele tatuada em instalações no próprio campo (na foto abaixo) e com ela fazia luvas e abajures. Também encolhia cabeças e as usava como enfeites em casa, como pode ser visto abaixo.


Os presos chegavam de trem. A linha de trem até Buchenwald foi desativada, mas o fim da linha foi preservado. De 1937 à 1945, 250.000 pessoas estiveram em Buchenwald. Estima-se que 56.000 tenham morrido. No campo sobreviveram 20.000.


34.375 mortes de Buchenwald estão registrados mas várias não estão: prisioneiros soviéticos eram execcutados sem registro, pessoas que foram cremadas (estimadas em 1100), outros que já chegavam mortos no campo pelas péssimas condições de viagem. Aproximadamente 11.000 judeus estavam dentre os 56.000 mortos.


Quando os aliados chegaram ao campo, o processo de liberação foi demorado. Vários morreram de fraqueza e doenças, nos meses seguintes. Diante das atrocidades, os aliados obrigaram os cidadãos de Weimar a ver o que negavam saber. As imagens do constrangimento, no filme, é evidente. Organizaram uma quilométrica fila e exibiram os corpos de prisioneiros e os "souvenirs" da Bruxa, ou da Cadela de Buchenwald, como os americanos a chamaram (quando os aliados chegaram, ela já não estava lá tinha dois anos. Ela só foi julgada e presa muito depois. Acabou se matando na prisão).


Os citadinos também viram pessoas morrendo, as péssimas condições de higiene do lugar que algumas vezes foi isolado por quarentena, e os magérrimos sobreviventes que, segundo outras declarações que li (de Birkenau, para ser mais precisos), faziam até sopa com casca de barata para se alimentar.



Hoje o trabalho feito em Buchenwald, como museu, é muito bem coordenado, segundo me disseram. Os barracões de madeira onde ficavam os presos não existem mais. Mas o seu espaço de fundação foram demarcados e preenchidos por pedras negras. Alguns deles com monumentos específicos, por exemplo, um para os judeus, outro para os húngaros, outro para os homossexuais - e por aí vai.



Primeiro a liberdade.


Depois a memória.



Mais um artefato da DDR




Enviado pelo Bruno Porto, direto das suas andanças de férias pela a Alemanha, uma antiga flâmula do histórico time da DDR, que venceu o time da Alemanha Ocidental em 1974.

O lado Ocidental foi campeão naquele ano e a DDR ficou em quinto, bem atrás do Brasil, que ficou em quarto após uma pífia campanha. O Brasil perdeu o terceiro lugar para a Polônia (incrível), totalmente ressentida do vácuo deixado por Pelé, Gérson, Carlos Alberto e companhia.

Queria uma flâmula dessa, ia pendurar num Trabant - se tivesse um, claro!


11/07/2008

E nunca diga, dessa carne não comerei!


Uma das iguarias preferidas que descobri na Alemanha é justamente a foto aí de cima, o incomparável salame de veado, chamado carinhosamente por nós que compramos e comemos com uma certa frequência, de veadinho.

Pois bem, o veadinho tem uma carne leve e saborosa, sem gorduras. É meio difícil de achar, parece que muita gente gosta e logo sai das prateleiras. É mais caro que o normal, mas é muito mais barato do que se achássemos no Brasil. Comparado ao salame de javali, eu continuo preferindo o veadinho. Minha senhora prefere o javali.

Enfim, recomendo experimentarem, quando tiverem oportunidade, o saboroso veadinho.

04/07/2008

Ainda no Filmpark


Outra parte muito bacana da visita no Filmpark foi ver os estúdios e os bonecos originais do stopmotion alemão da década de 60 Sandmännchen. Muito bacana ver vários cenários com os bonecos reais feitos para os filmes.



A oficina de fazer bonecos;


O estúdio de filmagem;


O mecanismo e como faziam os bonecos.


Tudo muito legal, só faltou encontrá-lo dirigido uma miniatura de Trabant, aí eu iria ao delírio! Rapha que tinha visto a animaçào pela primeira vez, na TV do hotel, virou fã! Até ganhou um e trouxe para casa! Não desse tamanho, claro...

UFA


Coisa de umas duas semanas atrás, fui à Potsdam, em um encontro dos bolsistas do órgão alemão de fomento à pós-graduação. Achei que seria aquele bom e velho encontro meio chato, com muito blábláblá, e que só seria útil mesmo para reencontrar os bons amigos que fiz na passagem por Leipzig. Eis que no programa estava designado que um dos programas era visitar o Filmpark Babelsberg . O Filmpark Babelsberg é um parque temático de cinema que funciona ao lado dos estúdios de cinema onde são rodados filmes alemães e hollywoodianos, além de séries de TV.



Minha primeira surpresa foi chegar um dia para jantar num restaurante em que a arquitetura do lado de fora era uma homenagem ao clássico O Gabinete do Dr Caligari, de Robert Wiene. Foi muito bacana ver uma construção expressionista de fato, como no filme. Se sentir como num filme expressionista.

No outro dia fiquei pensando que ali talvez poderia ser perto dos estúdios da UFA, ou Universum Film, onde na década de 20 foram produzidos grandes clássicos do cinema mudo alemão, até ser encampada pelo Adolfinho (Adolfinho é como eu chamo aquele de que não podemos falar o nome, aqui na alemanha, sem chamar maior atenção em público). Da UFA saíram os grandes técnicos, fotógrafos e atores do cienam alemão que fugindos da guerra, foram para os EUA e fizeram com que o cinema americano fosse, o cinema hegemônico. Graças à eles existiu o Cinema noir e o filme de terror nos Estados Unidos, donde se criou toda uma linhagem de cinema, de iconografia e cultura pop.

Qual não foi a minha surpresa quando descobri que era ali mesmo! Estava eu nos próprios estúdios da UFA, onde foram produzidos os filmes mudos que mais gosto, mistura de teatro de câmara, fotografia contrastada, cenários tortos, inconsciente, loucura...


A pergunta que não me abandonava era: terá sido nesse estúdio mesmo que Fritz Lang filmou Metropolis? Ele havia filmado na UFA, mas será que era o mesmo local?
Entramos numa visita guiada na parte dos estúdios propriamente ditos, não podemos sair do carro porque tinham várias produções em andamento. Inclusive os irmãos Wachowski estavam filmando o seu mais novo filme no estúdio...



... onde Fritz Lang filmara Metropolis!!!

A foto foi no improviso, sem enquadrar, colocando a câmara no teto do carro para não perder a imagem do mesmo local em que 80 anos atrás a maior massa de figurantes trabalhava em um dos maiores clássicos do cinema de todos os tempos.

Despertei do estado de transe três dias depois.

A estátua que é um saco


Dia de Sol e você passeando pela bucólica Weimar. Você vê, brotando no chão, uma estátua/escultura de gosto duvidoso, com água saindo da boca de um e das orelhas do outro. Ao lado um sujeito que parece estar com dor de barriga.


Você então dá uma voltinha para buscar outro ângulo, e com o que você se depara?


Sem comentários.

30/06/2008

6º Festival Intercâmbio de Linguagens



Começou sábado a sexta edição do Fil – Festiva Intercâmbio de Linguagens, organizado pela incansável Karen Aciolly. 13 dias com o “melhor das artes cênicas para crianças de todas as idades”, como diz o relise.
Pelos cartazes já se pode perceber o alto nível do evento.




Para o designer Marcelo Martinez, o festival "é alto nível. Sábado fomos no Phillippe Genty (França) e ontem conferi o Bistouri (Bélgica). Ótimos, impressionantes.".


O projeto gráfico dessa edição é do Laboratório Secreto, e após o desenho da marca/gesto/garatuja, Marcelo convidou outros artistas gráficos para um “intercâmbio de linguagens” no cartaz oficial (mil lindos exemplares com as artes de Marcelo Martinez, Guto Lins e Marcello Rosauro).

Entrem no site www.fil.art.br e animem-se! Pelo que eu li os espetáculos com bonecos são imperdíveis. Se eu estivesse no Rio daria um pulinho lá!


E a Eurocopa? Ops...!


Pois é...

E as pessoas perguntam para mim: "Como é viver o clima da Eurocopa na Europa?". É bem legal, todo mundo bem animado e a cidade parava bastante para ver os jogos, lotando bares e algumas praças em que colocavam telões. Como sou um doutorando responsável, vi poucos jogos, mas o clima de ver nos bares era bem legal já que tem muitos estudantes estrangeiros e europeus por aqui. Mas é legal pricipalmente se você ficar incógnito, sua seleção não estiver jogando e você quiser secar quem você quiser.

Por exemplo, secar a França no jogo com a Holanda sem dar na pinta porque você está ao lado de um francês muito gente boa, não tem preço! E vida que segue. Os alemães apesar do time limitado, segundo alguns amigos alemães fizeram questão de frisar, chegaram mais longe do que deviam. Todos os jogos que ganhavam e a balbúrdia pela cidade crescia: bandeiras, buzinaços, cerveja e festa, que era a tônica das comemorações. Havia também casos de neo-nazistas queimando a bandeira da Turquia em praça pública. Mas enfim, uma minoria que não mancha a festa do povo alemão. Era divertido ver o alemão, normalmente mais sisudo, totalmente solto e feliz da vida.

A final da Alemanha com a Fúria eu vi em um telão colocado na frente do clássico prédio da Bauhaus. Não torcia para ninguém, mas esperava ver um jogo bom e de repente uma festa da torcida alemã para fotografar e postar aqui. Nem uma coisa nem outra. O jogo foi meio chato e a festa foi dos espanhóis, conforme foto acima, que também foi divertida, mas certamente bem menos ruidosa do que seria se fossem os alemães que ganhassem.

A imagem que fica, prenúncio do resultado, é a foto do alemão que de forma criativa fez um chapeuzinho com um boneco do Ballack. O que será que ele está procurando?





Bruno Porto e Luciana na Alumanha


Essa última semana tive o prazer de receber meu grande amigo Bruno Porto, companheiro de mochilão (da época que minha coluna ainda suportava isso...) e almoços e chopes na Cobal. Da última vez que o vi, ele estava solteiro e de mudança para China. Dois anos depois nos encontramos cá na Alemanha, ele casado com a adorável Luciana, e eu com a Rapha. Depois de alguns meses aqui, foi bom encontrar o velho amigo e fazer aquelas velhas piadas idiotas que só a gente acha graça.

Além das bobeiras habituais, convesas sobre China, sobre Alemanha, design, universidade e, para ter algo novo, uma visita a um campo de concentração, que em breve será contada aqui.

Do histórico momento, uma foto na escadaria do histórico prédio na Bauhaus, universidade na qual estou fazendo meu doutorado sanduíche, infelizmente, não no mesmo prédio. Abaixo mais uma foto de todos nós mais outro bom amigo feito pelas terras tedescas, o Freddy Merten, figuraça paulista e arquiteto promissor que, espero, continue uma boa amizade por longa data.


E por fim, para mostrar que velhos hábitos não mudam, uma foto típica de viagem do Bruno, nós com nossos amigos franceses, Rémi e Alain, no Chile em 2005 e a atual aqui na Alemanha.


Foi divertido! É sempre bom rever nossos grandes amigos!


27/06/2008

Finalmente, um Skoda!



Há alguns anos atrás fiz um curta-metragem que ficou muito bacana. O filme Cego e amigo Gedeão à beira da estrada, de Ronald Palatnik e adaptado do conto de Moacir Scliar tem um ritmo bem bacana e conta com a atuação de Pedro Paulo Rangel e Marcelo Escorel. O filme se passa em uma pequena cidade do interior e os protagonistas conversam ao lado de um carro completamente velho, estacionado pela falta de peças e pelo tempo, impossível de rodar um milímetro. A idéia inicial era usarmos um Opala velho. Procuramos, procuramos e não achávamos nada à contento, até que os produtores do filme acharam em um ferro-velho-sabe-Deus-onde um Skoda completamente detonado. O dono não queria vender de jeito nenhum, mas topou nos alugar o carro para usarmos no filme.

Colocamos o carro no lugar e ele ficou tão integrado à paisagem que parecia que estava ali ad eternum. Com isso e com um excelente trabalho de equipe, o filme conquistou alguns prêmios, inclusive o de melhor direção de arte de curta-metragem no Cineceará, não lembro o ano...

Estávamos dando uma volta por Weimar nesta semana, mostrando a cidade para o Bruno e para a Luciana quando avisto um Skoda velho, novinho em folha. Evidente que não poderia deixar de pedir para o Bruno me fotografar junto ao carro, se não me engano húngaro, que foi coadjuvante no filme.

Para não rolar um ciúme, aqui vai um Trabant conversível e completamente transformado, estacionado na rua da universidade. Definitivamente os Trabies são que nem os fusquinhas no Brasil, pau pra toda obra!


E o primeiro Trabant vai para...



Para quem achava que era mentira, aí vai: a primeira entrega oficial de Trabant para um visitante em meu lar alemão.

O agraciado foi o casal Bruno Porto e Luciana Belmok que diretamente da China, passou três agradáveis dias na cidade de Weimar em minha gripada companhia - e de minha senhora. Em breve um post sobre uma de nossas visitas aqui nesses dias, algo que estava demorando ainda para fazer, o tenebroso campo de concentração de Buchenwald.

Venha pegar o seu Trabant você também!

19/06/2008

E direto da Suécia...


Essa é a história do dia em que a minha querida amiga Elisa Palha ficou amiga do Dave Grohl. Com ela a descrição do acontecimento e uma rápida troca de emails com o Marcelo Tavela que é, no mínimo, pertinente. Com a palavra, Elisa:

"Eis que estou enlouquecida andando de um lado para o outro arranjando as exigências dos Foo Fighters e Queens Of The Stone Age (que estavam recém-saídos do hospital por causa de uma infecção estomacal) e conversando com a produtora dos Foos, alguém chega pra mim e fala "Hi, I'm Dave".

E eu: "I know! I'm Elisa"
Dave Grohl: "I know! Nice to meet you."

E ele "Why do you run all the time back and forward? Come over and let's have a beer."
E lá fui eu pro camarim "Rock Box" tomar uma cerveja com o Dave Grohl! Cara, que figura! Hiper animado, sorridente e bricalhão. Me perguntou se eu levaria ele pro outro palco pra ver os Hellacopters e eu disse que ia arrumar um carro pra levar ele. E portanto, eu assisti Hellacopters (um dos últimos shows da carreira deles) com o Dave Grohl. E tiramos essa foto depois do show. A equipe dos Foos é fantástica. Só gente boníssima. Tô morta até agora, mas foi mto legal trabalhar no festival e no final, às três da manhã, ganhei um abraço apertado e um beijo (na bochecha) do fofo do Mr. Grohl. Vale a pena se fuder e trabalhar com música no frio e na chuva sueca por um cara desses. (...)"

Marcelo, por email:
"Você perguntou se foi ele que roubou as cinzas do Kurt Cobain?"

Elisa respondeu:
"Perguntei. Ele disse que foi, pq senão a Curtney ia cheirar as cinzas. ;) "


09/06/2008

Lembram daquele buraco na Alemanha?


Pois é... Bunda de nenê.

E viva as ruas!


Não pude deixar, em Portugal, de ver algumas coisas interessantes escritas nas paredes. Alguns stencils, alguns grafites bacanas mas também algumas pichações que emporcalhavam as ruas. Mas havia algumas mensagens de cunho mais político ou de um deboche irônico que não deixam de ser engraçados. Nesse sentido segue uma frase de nítidas influências baianas, espalhada pelas ruas do Porto:



Na Europa tem se discutido muito e há uma enorme insatisfação em função dos altos impostos para fomentar a previdência e o seguro-desemprego, que deixou de ser um seguro para ser uma instituição entre pessoas que não querem trabalhar e ficam mamando no governo. A frase aí de cima faz todo o sentido, nesse ponto.

Em Lisboa, ao chegar no hotel, vi na parede em frente uma típica reclamação anarquista reclamando do Estado e assinada, vejam vocês, pelo V, personagem de quadrinhos de Alan Moore e David Lloyd que virou filme há uns anos atrás. Melhor Portugal se preocupar com a integridade do seu Parlamento.



Bati a foto, fui almoçar e segui para a FNAC à procura de mais alguns livros. Cheguei lá e entre livros de Deleuze e estética, olha o que eu achei. Sintomático não?


Agora pergunta se o nerd aqui comprou?



Trocando figurinhas


Vila Real é uma cidade ao norte de Portugal. Cidade não muito grande rodeada por uma vegetação exuberante. O palácio da foto é o Palácio de Mateus, propriedade de uma linhagem de Condes que foram um dos donos da região no passado.

Foi na universidade de Vila Real que apresentei meu trabalho e fui muito bem recebido pelos professores e organizadores. Mas o melhor foi o convívio com a Anabela, seu marido Pedro e seus adoráveis filhos Luís Filipe e Filipa, com quem tínhamos boas conversas até altas horas da madrugada com assuntos variados sobre vinhos portugueses, comida, química, engenharia das pirâmides egípcias, fotografia e Luís Felipe Scolari, claro.

O saldo da viagem foi o melhor possível: conheci mais uma cidade portuguesa, fiz bons contatos e solidifiquei amizades. O melhor é a possibilidade de aprofundar e desenvolver daqui para frente uma parceria com colegas portugueses.

Portugal estava fria, acreditem, bem mais fria que a Alemanha. Mas compensou pelo calor das pessoas que lá me receberam.

08/06/2008

Nerdice no Porto? Por que não?!


Quando fiquei no Porto, foi no mesmo hotel em que fiquei há três anos, na minha primeira passagem pela cidade. Andando, naquela época, por aquelas bandas, descobri na rua ao lado uma loja genial, especializada em quadrinhos, ou banda-desenhada como dizem os portugueses. O dono da loja, um viciado em Tintin que faria inveja ao Bruno Porto e ao pai da minha amiga Martina - que é o maior colecionador de Tintim que eu jamais vi na vida - é extremamente simpático e, evidente, nerd de carteirinha. A loja tinha mudado de endereço, mas continuava na mesma rua, e com as mesmas coisas, revistas, raridades, bonequinhos, que sempre deixam uma pessoa como eu um tanto desesperado com dois sentimentos simultâneos: fugir para não levar tudo, ou levar tudo e fugir.

Acabei comprando uma miniatura do Tintin andando de carro com os Irmãos Dupont, em Os Charutos do Faraó. Procurei do Loto Azul para o Bruno, mas não tinha, essa vou ter que ficar devendo.

Como coisa boa a gente divulga, aí vai o endereço do paraíso dos nerds que vão ao Porto:

Livraria Timtim por timtim
Sr Alberto Gonçalves
Rua da Conceição 27-29 4050-215 Porto - Portugal
T 22 201 10 83 / 93 861 53 39 timtimportimtim@iol.pt

Notícias do mundo luso.

Pois é, mais uma vez rolou um sumiço. Dessa vez porque andei pelas bandas de Portugal, aproveitando a simpatia dos portugueses e o conforto de falar português. Cheguei rapidamente por Lisboa e fui direto para o Porto, cidade que sempre me faz sentir em casa, talvez pelo rio, pela arquitetura, ou pelas pedras portuguesas espalhadas pela cidade.

Depois de seis meses na Alemanha, chegar em Portugal é uma dádiva. Sentir a língua portuguesa não apenas com um sentimento de família, mas como um sentimento de aconchego e conforto é realmente muito bom. Tinha vontade de falar com o guarda, e até com mendigo na rua. Ver televisão em português, ver o Felipão reclamando da seleção, ver as pessoas falando mal do Felipão e até ver novelas brasileiras e Malhação com um certo prazer no ridículo deu um reconfortante sentimento de volta ao lar.

Como se isso não bastasse, em Portugal pude fuçar uma série de livros em português, que precisava. O melhor foi comer carne de vaca - boa, porque na Alemanha as vacas estão para lá da meia-idade -, feijão, farofa (ok, tava fria, mas era uma farofa) e, incrível, tomar chope - ou um "fino", como se diz pelo Porto.

Na véspera de ir à Vila Real, cidade na qual apresentaria o meu artigo, procurei na noite portuense um lugar para jantar ou comer alguma coisa antes de dormir. Achei o que parecia improvável: um restaurante cheio de jovens, clima de bar universitário com garçons simpáticos que batem papo com os jovens, que os conhecem pelo nome - tipo o Hipódromo mas menos muvucado. Por um momento pude recordar um pouco de um clima que aqui na Alemanha não se vê muito, o bom e velho boteco. O garçon foi super-gente boa, puxou papo, enfim, aquela simpatia latina que ando vendo pouco, apesar de ser bem tratado por aqui. Saí do Café dÓuro com a agradável sensação que tinha dado uma passadinha no Rio e com a certeza que ainda volto para tomar um "fino"e comer uma "francesinha" (olha a bobagem hein! é um prato típico de Portugal).


Meu orientador aqui na Alemanha poucos dias antes tinha me falado da sua teoria, que eu posso chamar de teoria da falta. Segundo ele, uma vez por ano, durante sessenta dias, fica sem beber uma gota de álcool para que possa apreciar novamente o sabor do vinho e da caipirinha, por exemplo. É para dar valor a esses gostos e para reproduzir novamente o sentimento de tomar um bom vinho.

Finalmente em Portugal, entendi o que ele queria dizer.






23/05/2008

Sobre o terremoto na China...


Recomendo a leitura do post do meu amigo Bruno Porto, desiner-aventureiro que mora em shangai, sobre o week-after do terremoto na China. Clicaê.

Para ilustrar esse post, o genial cartaz feito pelo Marcos Minini para o Semana em Cartaz.

Choque cultural

Então meus amigos. Comecei, no dia do meu aniversário, mais um daqueles meus choques culturais que estando na Alemanha é inevitável não passar. Até porque o mais divertido para um brasileiro morar na Alemanha são os choques culturais, para o bem e para o mal.

Sabe obra? No Rio de Janeiro? Tipo... Rio-Cidade? Então... Vamos analisar as imagens da pequena e bucólica Weimar:

1. Sabe aqueleas crateras abertas no meio das ruas do Rio, com britadeira?

Pois é... Repare como o buraco é completamente reto, completamente alinhado... E o asfalto em volta? Limpo como uma bunda de bebê.

2. Sabe aquela sinalização vagabunda que quando você menos espera caiu num buraco - que não é tão retinho?

Pois é...

3. Sabe aqueles tapumes velhos, ferrados, horrorosos, com um balde vermelho de cabeça para baixo improvisando uma luminária, que em lugares têm, em outros viram pontes e em outros ficam sem?

Pois é... O diabo da cerca é tão forte, tão grande e tão arrumadinha, que nem que você queira você passa por ela.

Mal posso esperar para ver e fotografar o remendo no asfalto, ao término da obra.

Vê se aprende CET-RIO!!!!!! Se quiser posso mandar uns modelos aqui de Playmobil de obra para vocês estudarem sinalização e que tais.


Para os incrédulos


Essa foi enviada pelo meu amigo Martin, alemão, e que começa a se render também à Trabantmania que assola o mundo!

Na foto que ele encontrou acidentalmente, uma prova cabal do que não se pode negar: toda a rapidez e modernidade do Trabant!

Para provar também que a Trabantmania não é uma figura de linguagem, clicaê na matéria que o Martin também me mandou e veja que não sou eu o único maluco. Tem um sujeito alemão que está indo até as olimpíadas da China de Trabie! Não deixem de ver as fotos!

Sujeito de sorte!

18/05/2008

Lembranças do Rio


Falando em cartaz, ganhei uma plotagem aqui na Alemanha do cartaz que fiz para a Mostra Foco Brasil, exposição de cartaz sobre o cinema brasileiro em Shangai no ano passado.

Não resistimos em fazer a piadinha...


Semana em cartaz


Há duas semanas fui convidado a participar de um projeto muito bacana, feito por dois designers de Curitiba, Minini e Zeh.

A idéia é toda a semana transformar a notícia que mais nos chamou a atenção em um cartaz para ser publicado no blog Semana em Cartaz. O intuito é traduzir notícia em imagem através do design. Além do exercício formal e possibilidades que temos em função de total liberdade criativa, acho uma inovação o fato de fazer um comentário imagético de uma notícia transformando, por que não, o design em ferramenta jornalística. Também escrevemos um comentário ao lado do cartaz, fazendo a associação com a notícia escolhida. Esse texto permite também um cuidado literário ou poético, que associado à imagem, complementa a opinião. O resultado é uma crônica gráfica semanal. Enfim, uma linguagem bastante interessante que podemos desenvolver aproveitando a originalidade da idéia.

Passem no blog, divulguem e divirtam-se. Adianto que a qualidade dos trabalhos é muito bacana. Fica para vocês aqui uma canja do meu último cartaz.


13/05/2008

Depois de 36 anos de espera...



Achei hoje em uma loja um dos mais antigo sonhos irrealizados de infância! Um carrinho do Mach 5, do Speed Racer!

Sei que depois do filme vai ter um monte deles, mesmo no Brasil, mas esse é de antes do filme até pelo ano do brinquedo. Enfim, não deu para resistir.

Go Speed Racer, go!!!


09/05/2008

Enfim!


Rapha chegou, finalmente, depois de inúmeros esforços de um monte de gente, de idas e vindas no Consulado e no Ausländer Behörde.

Primavera na Alemanha!

04/05/2008

Voltando aos carros...


Fotografada exclusivamente para esse blog pelo nosso correspondente Herr Tangerino, como ele diz, uma autêntica Kombi-DDR!

É primavera em Weimar!



É, um mês sem internet na Alemanha não é mole. Bom que alguns leitores reclamaram da ausência. Vamos tentar compensar. De qualquer forma o que mais impressiona é que sim, HÁ CÉU AZUL NA ALEMANHA! Depois de cinco meses aqui, nessa última semana, pude sair só de camisa, sem casaco. Teve um dia que fez 25 graus e fiquei que nem pinto no lixo. Os dias agora são longos, anoitece por volta de 21hs. Uma beleza!

Weimar é uma cidade interessante, história impressionante! Vai desde a Bauhaus a própria importância da cidade para Hitler e o partido Nacional-Socialista. Enfim, assunto não faltará aqui. A cidade é pequena mas lindamente preservada. Aliás o controle de preservação dos prédios aqui é impressionante! É tão conservada que por vezes pode se achar que se visita uma cidade cenográfica, pelo menos no centro.

Mas o exemplo cenográfico masi interessante e infelizmente do qual não tenho fotos foi justamente do início da primavera. Eu estava andando na rua, indo para a Hauptbanhof pegar o trem para Bonn. Super-cedo e eu passava pela praça central de Weimar, a Theatherplatz, quando para uma pick-up da prefeitura, cheia de Tulipas na caçamba. Iam plantar nos canteiros, áridos pelo frio do inverno que terminara. Ao voltar de Bonn, os canteiros todos floridos, como se eu estivesse na Holanda ou em um comercial - talvez em um filme. Como se as flores sempre estivessem ali.

Na Alemanha, e não é piada, podemos acertar o relógio pela chegada dos trens na estação. Pelo visto, se a primavera não der as caras no tempo certo, a prefeitura dá um jeito dela tembém ser pontual.




30/03/2008

Bis bald Leipzig!

Alforria


Finalmente, depois de quatro meses nossas aulas de alemão acabaram. Com sucesso apesar de uma insatisfação generalizada com a nossa professora da DDR que adorava nos tratar feito alunos de colégio. Conseguimos aprender bastante alemão e agora é fazer o que não tivemos tempo de fazer nesses quatro meses, sair para a rua e praticar. Fizemos uma pequena reunião na quinta-feira, com nossa turma e as professoras - a mala é a de óculos.


No dia seguinte tivemos uma festa com alguns alunos tocando música, discursos e entrega de certificados. Fica o alemão e um monte de bons novos amigos.


Começando a mudança



Na Páscoa resolvi da melhor forma possível a minha mudança para Weimar , o que estava me deixando bastante preocupado em função do meu problema nas costas. Quatro amigos, que não conheciam Weimar, resolveram ir comigo, me ajudando a carregar minhas coisas para eu não ter problemas. Aproveitamos o dia na cidade e voltamos no fim do dia.

Cansativo mas muito divertido. Na verdade até andei mais e conheci mais coisa do que quando estive na cidade da outra vez.

O meu incrível exército de Brancaleone contou com o nosso comandante espanhol Doutor em linguística Jose-Manuel Pazos, A doutoranda em filosofia cearense Regiane Collares, o doutorando em recursos hídricos da Etiópia, professor Michael Menker, e por fim o doutorando paulista em Física atmosférica e mudanças climáticas Walter Nakaema.

Só posso agradecer a ajuda incomparável!

Próxima parada, Bauhaus!



Tropeçando na história


A coisa que mais me lamento nesses quatro meses que estive em Leipzig é de não ter tido tempo de apreciar e viver a cidade. O draconiano curso de alemão dividia o tempo livre que me restava entre estudar e dormir (ok, e escrever minhas bobagens aqui). De qualquer forma, relaxei um pouco porque Leipzig é perto de Weimar e com facilidade posso fazer uma visitinha de vez em quando.

Um exemplo é essa casa aí em cima que hoje é uma pousada. A Alte Nikoliaschule foi a primeira escola pública do mundo ocidental - pelo que diz a placa. Nela estudaram, entre outros, o filósofo Leibniz e o compositor Richard Wagner.

Foi fundada em 1512, ou seja, tem praticamente a "idade"do Brasil português. Tropeçar nessas coisas aqui é muito bacana, pena mesmo foi a falta de tempo. Mas acredito que a partir de agora seja um pouco menos corrido.

Pega! Pega! (parte 2)


Esse eu vi da minha janela, se não tivesse o sinal fechado e as pessoas aqui respeitarem as leis de trânsito, neca de fotografar o Trabie bicolor.

O de baixo foi de outra janela, voltando no trem de Berlin e lá estava no meio do caminho, outro me esperando.


Como burlar regras na Alemanha com consciência


Depois de ficar sem postar por falta de tempo, finalmente mais uma leva de posts para compensar o atraso.

Quando cheguei aqui na Alemanha, algo me espantou profundamente. Vocês estão acostumados com o trânsito do Rio certo? Aquele em que o carro avança o sinal vermelho, passa por cima de você que está as vezes atravessando na faixa e ainda te fala uns impropérios. Normalmente quando chegamos na Europa esse é o primeiro choque cultural. Ficamos sempre na dúvida se o carro vai parar, mesmo o sinal fechado para eles, ou mesmo aberto, e eles assim mesmo param. Até acostumarmos com isso é difícil... Mas isso todo mundo já sabe. Então eis que chegamos na Alemanha.

Na primeira vez que cheguei aqui, e fui atravessar a rua, algo estranhíssimo aconteceu. O sinal para os carros fechou. Os carros pararam, e as pessoas continuavam não cruzando a rua - então era pouca gente não. Fiquei tão espantado que achei melhor ficar parado também, com medo de ser apedrejado.

Assim que o Ampelmann ficou verde e deu condições todo mundo passou. Espantoso! Aqui até pedestre respeita sinal de trânsito! Vai ver que a lógica do Ampelmann, de ser amistoso para que as pessoas o respeitassem, deu certo... Depois descobri que na verdade há uma multa de 40 Euros para o pedestre que desrespeitar o sinal. Não, ninguém anda com uma placa de identificaçã colado na traseira para ser multado.

Com o tempo vi que as coisas não eram bem assim. Apesar das pessoas respeitarem, principalmente os mais velhos, algumas pessoas, uma minoria, avança o sinal de pedestre (meu Deus, como essa frase me soa ridícula!). Jovens punks e adolescentes reclamões, avançar sinal de pedestre é coisa de alternativo aqui. E neguinho loiro olha feio para quem faz.

Mas fazem. E no final das contas parece que ninguém na verdade é multado. De qualquer forma, de tanto que ultimamente as pessoas começam a avançar o sinal (huahauhauhauha), criou-se uma campanha para não se fazer isso na frente de crianças. Então o transeunte imprudente alemão respeita as crianças, e olha para ver se tem alguma quando for humm... avançar o sinal.. (HAUHAUAHUAHUAHUAHUAAUHAU). Então você encontra uns cartazes colados nos postes, falando dessa campanha. Mas brincadeiras à parte, essa pelo menos é uma consciência bacana.

É um começo, eles assumem a institucionalização do erro quebrando um pouco a rigidez (se não nem haveria cartazes), mas ainda assim, vamos sistematizar o erro para não virar bagunça. É realmente incrível esse povo. Isso é igual colocar verbo no fim da frase.

Bem, pode soar ofensivo - o que não é a minha intenção - porque o filme depois foi visto como uma ante-visão do nazismo, especialmente a cena abaixo que depois foi comparada as massas judias indo para campos de concentração. Mas tem uma relação. Ainda há muito dessa ordem aqui, do pensamento de uma obediência civil quase absoluta. É claro que não é a mesma coisa, mas dá para enxergar os pontos de contato na cultura que aproximam as duas coisas - a cena do Metropolis do Fritz Lang e o que vemos na rua.

Cada vez mais percebo como o excesso de ordem é uma maluquice, é importante, mas não vamos exagerar. Talvez por isso eles dêem bolsa para tantos brasileiros, para injetar um pouco de bagunça na ordenada vida alemã. Resta saber se eu vou voltar para o Brasil mais alemão ou mais brasileiro.

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23/03/2008

Joaninha-móvel




Estava voltando para casa com os colegas do curso, aqui em Leipzig, quando me deparo com um carro vermelho cheio de bolas pretas. Olhamos e pensamos que parecia uma Joaninha. Qual não é a minha surpresa quando percebo que é intencional:

Alguns metros dele estava também o seu primo pobre, constantemente pelas imediações. Acreditem, isso anda.


Mas cheguei à conclusão definitiva que realmente esses carros pintados são moda por aqui, quando achei esse ontem em Weimar.


Pergunto-me o que diabos faz uma pessoa pintar o seu caso de toalha de mesa. Ainda vimos outros dois carros pintados em movimento pela rua, que não deu para fotografar. Um deles, imaginem a cena, similar ao nosso velho Ômega, pintado de camuflagem de exército estilizada, sendo que não era evidentemente um carro militar.

Aqui na Alemanha, ufano-me cada vez mais de não dirigir.




20/03/2008

Produto tipo exportação

Ufano-me da Alemanha quando leio a seguinte placa em um bar - reparem na primeira linha de cor verde:


E para meus amigos designers, uma mostra de uma Coca-Cola genérica, made in DDR. Só não entendi porque diabos o nome é Africola.

16/03/2008

Saudade

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14/03/2008

Time alemão


A
ntes de chegar na Alemanha, tinha uma grande preocupação. Precisava torcer por um time aqui, não fazia idéia de qual e precisava escolher. Depois de muita pesquisa havia decedido pelo Werden Bremen, por causa do Diego. Mas como acho ele meio bucha, não estava confortável com a escolha. Até que, no ano passado, o Botafogo fez a bobagem de vender o André Lima no meio do ano para um clube alemão, que na época era artilheiro do Brasileiro. Foi a partir daí que começou a via crucis do Botafogo, que pelo visto ainda não terminou.
Decidi então pelo óbvio. O cara é gente boa, estava iluminado no Botafogo e, além disso, é declaradamente botafoguense. O Hertha Berlin seria o meu time por aqui. Assim que cheguei, comecei a procurar a camisa do Hertha Berlin, mas nada de achar, que dirá a do André Lima, que acho que participou efetivamente de uns três jogos apenas... Lá pelas tantas descobri o site do clube, com uma loja on-line. Resolvi então comprar a camisa dele on-line. Aí começaram algumas surpresas.

Junto com a camisa veio um card autografado mesmo pelo atleta, sem ser impressão, do outro lado os dados dele. Junto veio um catálogo grande de produtos do clube e outro menorzinho, com os produtos de inverno. Mas certamente por um erro meu recebi pelo correio - e poucos dias - a camisa tamanho P. Junto veio um formulário de troca. Meio desanimado pela trabalheira que isso ia me dar, com a ajuda de um amigo que é bem melhor no alemão do que eu, escrevi e mandei um email pedindo esclarecimentos sobre a troca. Eles responderam em umas duas horas, com todas as orientações. Depois ligaram e marcaram tudo. No dia seguinte, vieram pegar a camisa Dois dias depois recebi a nova, sem qualquer custo a mais ou maiores desculpas e burocracias. Impressionante o cuidado e a rapidez em atender o cliente, fora a vasta linha de produtos para venda, que rende uns bons Euros aos cofres do clube. Com toda essa infra-estrutura e organização, fiquei pensando quando os clubes brasileiros adquiriram alguma coisa dessa organização. Acho realmente que o Botafogo tem feito um bom trabalho e acho que estará muito bem caso consiga esse tipo de estrutura, que é pelo que o Bebeto luta.

Agora, trocando em miúdos, entendi porque o André Lima não anda jogando. Olha na foto embaixo, no encarte de inverno, onde está o nosso garoto-modelo. Reparem como ele está à vontade nas fotos.


Tá se dando bem com a Frau...

Começando a encerrar os trabalhos


Com o curso de alemão chegando ao fim em mais duas semanas e cada um indo para a cidade na qual desenvolverá o Doutorado, começam as despedidas. Essa semana batemos uma foto com os brasileiros do curso. Na verdade só uma parte deles porque não foi possível reunir todo mundo. Ainda faltam seis brasileiros nessa foto aí de cima. Como podem perceber é uma invasão total.

Na foto de baixo, nossa turma, composta por brasileiros, dois etíopes e uma chilena. Junto a professora de alemão mais nova (de vermelho), que definitivamente não tinha o DDR way of classes e ajudou muito todo mundo que precisava alugar apartamento ou resolver problemas, com uma enorme simpatia. Hoje foi o último dia dela, então batemos a foto para comemorar. Acho que até o fim do curso sai mais foto de recordação.

09/03/2008

E viva o Trabbie!


Quando você compra um DVD sobre o Trabant, em alemão e sem legendas, é sinal que realmente não tem mais jeito.

Mas o DVD é bem legal. Tem filmes da época da DDR, comerciais, e um filme melodramático mas bastante bacana sobre o último Trabant. Excelente material de arquivo.

Em tempo: vocês sabiam que a carroceria do Trabant era toda feita com uma espécie de estopa prensada no calor, que transformava-se numa sólida resina? Impressionante!


08/03/2008

Dresden



Finalmente depois de um mega-atraso, resolvi escrever um post menos nerd e mais sério sobre a Alemanha, Então preparem-se que dessa vez vem chumbo grosso...

Há exatamente um mês atrás, fomos em uma excursão para Dresden. Excursão organizada na Alemanha é um saco: cumprir horários draconianamente, sem tempo para flanar, transformando o que era para ser prazer em obrigação - ok, isso é um problema de excursão, não da Alemanha, mas aqui é ainda pior. Serviu como um aperitivo de uma visita que deve ser refeita de forma mais meticulosa. É uma bela cidade, conhecida também como a "Florença do Norte", com belos palácio, belos painéis, belos museus com obras significativas. Mas o mais importante de Dresden está na sua história, e que não é mole não.

Para quem já está se acostumando em andar pelo o que já foi um dia a Alemanha Oriental, ou seja, obras, demolições, reformas e reconstruções, Dresden não fica atrás. Mas sua reconstrução é muito mais impressionante em função de sua história. Dresden foi completamente aniquilada durante a Segunda Guerra Mundial.

Hoje, para um desavisado, é impensável imaginar que o lugar foi completamente refeito do nada. Dresden não tinha nenhuma função capital no Estado Nazista. Era uma cidade sem maiores bases militares. Talvez sua maior importância para a Alemanha na Guerra, era ter uma fábrica de armamentos, uma estação de trem estratégica (não tanto quanto a Hauptbanhof de Leipzig, essa sim talvez a mais importante da Alemanha) pela qual passavam armas e judeus destinados aos campos de concentração e, por fim, uma cidade de refugiados. Por ser uma cidade nunca antes bombardeada e não tão envolvida na guerra, os refugiados e feridos de guerra iam tentar se recuperar em Dresden, onde acreditavam estariam seguros, longe do front.

Em 1945, três meses antes do fim da Guerra, à noite, tocam as sirenes. Dresden seria bombardeada pelos americanos a partir de um acordo firmado com os ingleses. O que aconteceu a seguir foi devastador: ataques massivos por toda a cidade tranformou tudo em fogo e ruínas. Foram três ataques na mesma noite. As imagens são estarrecedoras do que sobrou, dos mortos. Os depoimentos são ainda piores. Quando as pessoas não morriam pelos bombardeios, morriam sufocadas, mesmo na rua, pelo fato do calor das chamas por toda a parte queimar o oxigênio. O calor era tão intenso que o ferro das estruturas e o asfalto derretiam em rios de lava.

(Cliquem nas imagens para ampliá-las)




O resultado: mais mortos que Hiroshima.

Comprei um DVD com um documentário feito pela ZDF, sobre o bombardeio. Meu alemão ainda não é suficiente para entender esse vídeo, as pessoas falam rápido demais e nem legenda para alemão, o que ajudava, eles colocam. Mas espero em breve entender melhor e poder dar mais informações.

Tudo em Dresden foi reconstruído, tal e qual no passado. Depois de 1945, Dresden passou por uma mega-enchente e por um longo período comunista que, com menos dinheiro, não pode se reconstruir menos lentamente. Hoje está praticamente tudo com antes. A ópera, a igreja de Martinho Lutero completamente reconstruída. Repare abaixo que os blocos escuros, são os originais, que eles conseguiram recuperar e como em um quebra-cabeças, colocaram em seus lugares originais ou pretensamente originais.


Quando houve a celebração dos 50 ou 60 anos do bombardeio em Dresden, o governo alemão foi discreto, Gerard Schröder foi à celebração na cidade, com participação do governo inglês, e homenageou os mortos. Parece que limitou-se a dizer que a tragédia foi o resultado da guerra e do nazismo. Manifestações de neonazistas na época foram reprimidas. Mas existe um sentimento e uma discussão real de que, na mesma moeda, deveria haver um tribunal internacional e condenar o bombardeio à cidade também como um crime de guerra, pela devastação e total incapacidade de defesa que a cidade tinha. Fala-se menos do que deveria sobre o que aconteceu em Dresden. Apesar de tão impactante e abominável como outras tragédias de guerra, talvez por ter acontecido com o vilão da história, seja menos comentado e discutido fora da Alemanha.

Se vocês procurarem no You Tube, encontrarão acoloradas discussões sobre fotos da cidade destruída, de pessoas que acusam a Inglaterra e outras que acusam a Alemanha, dizendo que mereceram. Não se apaga um crime com outro. E talvez essa seja a mais radical e complicada maneira de se dizer que os fins justificam os meios.

Se quiserem ver cenas do bomabardeio no You Tube, tomadas dos próprios aviões americanos, cliquem aqui. Se por outro lado, quiserem ainda ver um interessantíssimo documentário russo em três partes sobre o bombardeio, com boas discussões, imagens de época e legendas em inglês, cliquem aqui. Recomendo profundamente!

Impressionante, no final das contas, é a capacidade da cidade se reerguer, de se reconstruir do nada, de voltar a ser o que era, e de num dia de sábado, terem pessoas e turistas rindo na rua, sem uma aparente sombra para os incautos, do seu passado.

Que esse tipo de coisa realmente não volte a acontecer. Infelizmente, eu duvido.


E o curso de alemão?


Continua maneiro!

04/03/2008

E principalmente na sexta...

Nasceu, em Londres, Alice, a esperada filha dos meus queridos irmãos Daniel e Raquel.

Chegou em um ano bissexto, fazendo também um furacão particular no dia 29 de fevereiro, mas muito mais forte: na Inglaterra, no Brasil e na Alemanha, simultaneamente! Menina Super-Poderosa, preparem-se!

Agora alegria mesmo, é receber esse pezinho por email, no dia do seu nascimento!



Meu encontro com a Emma



Pois é. Sexta-feira, todo mundo moído, fim de semana começando, e preciso contar para vocês como foi meu encontro com a Emma.

Juntamos um pessoal aqui e resolvemos ir para um Irish Pub. Era uma globalização só: um espanhol, dois brasileiros, mais um casal brasileiro, um coreano, um costa-riquenho, um colombiano e um último colega do Zaire. Saímos cedo, ruas meio vazias para uma sexta-feira, mas tudo bem. Chegamos no Pub. Só tinha garçonete e um cara sentado no bar que durante muito tempo achei que fosse parte da decoração. Só tinha a gente, mais ninguém. "Beleza, tá cedo" - pensei eu. O tempo passa. Chega dois grupos de alemães, ficam umas duas horas no máximo e saem.

"O bar é novo"- retrucou outro brasileiro que tinha sugerido o local - "acho que as pessoas não o descobriram ainda". É, pode ser. Acabamos terminando a cerveja e voltamos cedo para casa , por volta de meia-noite e quarenta, com os primeiros pingos de chuva e muito pouca gente na rua.

Durante o sono daquela mesma noite, chuva e ventania forte. As persianas externas à janela, de ferro, pareciam que seriam arrancadas. Tomei um susto com o barulho, mas voltei à dormir. Sábado e domingo foi só chuva, vento e frio.

Na segunda-feira, a notícia vinda de um grupo de amigos: a televisão avisara que o furacão Emma passaria pela cidade, que as pessoas deviam evitar de sair sexta de noite. Foi a grande notícia do fim de semana. E nós alegremente andando pela rua.

O saldo do passeio da Emma pela Alemanha e Áutria, a 200 Km/h - e parece que hoje está na Hungria - foram árvores derrubadas, alguns desastres não tão calamitosos e oito mortes aqui na Alemanha.

E nóis na rua...

Quem manda não ver televisão?!


Mais quadrinhos!



Manuele Fior. Anotem esse nome. O sujeito é italiano e mora e trabalha em Oslo. Achei dois quadrinhos dele aqui, adorei seu desenho e comprei um dos álbuns. Tem um traço que imprime movimento, clássico, e trabalha com alguns estilos diferentes.

Gostei especialmente de um quadrinho chamado Ikarus (tradução alemã) para Rosso Oltremare. Pelo que vi rapidamente, é uma releitura da história de Dédalo e Ícaro com uma parte passada nos dias de hoje. O traço, com pinceladas rápidas e aparentemente grosseiras, lembra o expressionismo, Hugo Pratt, Muñoz e o Sin City do Frank Miller. O álbum é todo em duas cores, preto e vermelho, com total equilíbrio na variação entre o branco, o vermelho e o preto. Os quadrinhos parecem pequenas obras de arte na singeleza e composição.

Assim que tiver lido, comento aqui. Se quiserem dar uma olhada nas páginas do livro ou no trabalho do cabra, clicaê no site dele e dá uma olhada.